quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Feliz ano novo

RECEITA DE ANO NOVO
(Carlos Drummond de Andrade , "Receita de Ano Novo". Editora Record. 2008.)
"Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre."

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

A alemanha - Colônia


Desde o advento da unificação europeia  e do euro, a europa não tem mais fronteiras. Quando eu vivi pelas bandas de cá de 1991 a 1995, ainda tinha.
Então tudo é muito novo pra mim.
No último domingo, saímos de carro de Namur, na Bélgica, rumo à Alemanha.
Depois de uma hora e meia, uma pequena placa, ou mesmo nem isso, sei lá e tudo muda: o idioma nas placas, o estilo da arquitetura, as fábricas enormes e antigas, e voilá! Estamos na Alemanha! Atravessamos uma ponte sobre o Rio Reno e chegamos em Colônia.
Como não havia vagas, vamos na direção de um estacionamento, daqueles tipo prédio de estacionamento no centro da cidade e lá vem a primeira surpresa: letras em verde, palavras em alemão, o símbolo do feminismo precedendo a frase e nos damos conta que todas as vagas do primeiro andar do estacionamento são reservadas às mulheres!
Pelas ruas, bares e restaurantes, homens levando os bebês em slings e porta-bebês, empurrando os carrinhos, ou sozinhos, ou acompanhados pela mulher que leva a bolsa.
Graças à luta das mulheres  desde os anos 50 e 60, que a mentalidade do mundo machista tá se extinguindo e é por aqui que sentimos os primeiros e bem aventurados ventos...
Seguimos por ruas estreitas em busca da famosa catedral de Colônia que resistiu aos bombardeios da Segunda Guerra mundial. Seguimos um som e eis que numa esquina nos deparamos com uma dupla de curdos ou turcos de uns sessenta anos, tocando uma espécie de flauta e outro uma percussão típica. Mais adiante, um outro som invade nossos ouvidos, passamos diante de lojas de  souvenir, sorveterias e cafés e eis que diante de nós surge a praça e a tão procurada Catedral de Colônia! Aos pés da catedral, no meio da praça, um piano de cauda negro colocado sobre uma plataforma com rodas, nos esclarece sobre a origem da música maravilhosa que nos atraiu até lá. A catedral é simplesmente maravilhosa! Muito mais linda que a Notre Damme de Paris por fora (se bem que por dentro, nada se compare à grande mandala de vitral colorido da catedral francesa).
É simplesmente milagroso o fato dessa catedral ter se mantido em pé enquanto toda a cidade ruía e se transformava em escombros. Dentro da catedral, era como se eu sentisse a presença de todos aqueles que devem ter se abrigado lá, enquanto suas casa queimavam sob as chamas da ignorância, da ganância e da ânsia de poder infinitamente idiota dos homens de ontem (e, infelizmente de hoje ainda...)
Saindo da catedral, passamos ao lado de um portal romano, do ano 50 depois de Cristo e depois  nos sentamos em bancos, de frente pra praça, ouvindo ainda o som melodioso do piano de cauda e o agrupamento multirracial, multicultural e cosmopolita de pessoas que transitavam por ali.  Um tanto de gente do mundo todo, de todas as idades, de todas as cores, desfilando sob meus olhos que não se cansam de se extasiar e se deliciar com esse banho de história e de novidades, com esse tufão de energia e de persistência do povo alemão que tudo perdeu e tudo refez em tão pouco tempo...








A Bélgica


A Bélgica. Um requinte e uma sofisticação que deixou a França pra trás. A França com seu orgulho exagerado, com sua auto-confiança cultural e territorial. E a Bélgica lá. Com suas cortinas bordadas, suas janelas, sua arquitetura à “prova de neve”. Seus chocolates, sua cerveja, as batatas fritas, a música de Jacques Brel, o idioma francês, o flamengo (que é como um dialeto do holandês) e,  para um número bem menor de habitantes,  o alemão. A Bélgica que atravessamos em duas horas de estrada. Seja em qualquer direção, em qualquer lado. Das montanhas “les ardennes” , do litoral na Flandre, à fronteira com a Holanda,  ao Luxemburgo, à Alemanha ou ao norte da França. Duas horas de carro pra qualquer direção e lá estaremos. As estradas todas iluminadas. Na primavera, coelhos no acostamento, os pinheiros, no inverno, as árvores sem folhas , meigas margaridinhas nos gramados.  A simpatia de seu povo, a humildade de se saber culto sem precisar provar isso com nariz empinado e sotaque afetado
Namur, as casas de tijolinhos marrom escuro, as calçadas quase no nível da rua, o rio “la Meuse” que atravessa Namur, as montanhas arborizadas, as muralhas de “la Citadelle”,  o lado medieval da cidade e a família belga, acolhedora, sorridente, festejando nossa chegada.





Muitas construções novas e modernas, prédios de escritórios e apartamentos, seguindo o mesmo estilo de cores das construções antigas, numa arquitetura que consegue, ao mesmo tempo ser sóbria e inovadora. A França não consegue essa proeza. Quer inovar e as novas construções francesas, a meu ver, beiram o “kirsh”, espelhos demais, azulejos demais, como um grande camarim ou uma enorme sala de banhos. Apesar de ser vítima de zombarias e chacotas por parte dos franceses, a Bélgica continua sendo mais chique e mais sofisticada que a França de hoje (a meus olhos, obviamente).
Os Belgas estão decepcionados com seu rei. No auge da apreensão e do medo, na época do pós atentado de novembro, sabendo que os terroristas tinham partido de Bruxelas para explodir a França e que pra lá tinham voltado, o país em estado de alerta, em grau 4, o máximo de perigo, lá se vai o rei  passar uns dias de férias na Bretanha, tipo “foda-se”, tipo “vamos livrar o nosso”.
Algum paparazzi eficiente, clicou a família real em roupão de banho, tomando um drinque no aconchego de um spa à beira mar, no noroeste francês. O povo ficou “puto”. Depois disso, não contente, o rei aparece na tv para se explicar, gaguejando, dizendo desculpas sem se desculpar realmente e afunda ainda mais no mangue de descrédito que tinha começado a criar em torno de sua imagem real.
De resto, tudo continua como se nada tivesse acontecido. As pessoas vivem normalmente, fazem suas compras, tomando seus aperitivos nos cafés, comendo nos restaurantes e “brasseries”.

Os aeroportos aumentaram o controle (a companhia irlandesa Ryan Air, entre outras, oferece preços maravilhosos fazendo com que ir de avião fique mais barato que ir de trem hoje em dia). Ao passar pelo controle de passaportes, ainda no aeroporto de Montpellier, recebo um olhar desconfiado da agente da polícia federal ao apresentar minha carta de identidade francesa. Nos dias de hoje, não basta ter documentos e provar a nacionalidade europeia, os terroristas eram franceses e tinham todos os papéis em dia. Não. Hoje é preciso talvez ter a pele bem branca, rosada, olhos claros mesmo (ou talvez um crucifixo no pescoço) pra não levantar qualquer suspeita. Não sei. Mas vou passando e vou entrando, assim como a música de Caetano “Minha mãe, meu pai, meu povo” que ensina “a sentença de sempre pedir licença mas nunca deixar de entrar”.  

domingo, 20 de dezembro de 2015

As imensidões urbanas de Montpellier

Promenada du Peyrou

Contrastando com as ruelas e cantinhos, as imensidões!!

La promenade du Peyrou, également appelée place royale du Peyrou, est une esplanade de trois hectares aménagée en1689.(fonte titia Wikipedia)
A promenada do Peyrou, igualmente chamada de Praça Real do Peyrou, é uma esplanada de três hectares terminada em 1689. (tradução tabajara Drizotti)

Eu li numa placa que foi Luis XIV quem concebeu a praça que ele institui uma lei que vigora até os nossos dias, que as construções da cidade não podem ser mais altas que o beiral das muretas da parte baixa do parque.

Esses, reis com suas megalomanias, de um lado, trouxeram algumas vantagens. O lugar é lindo!  Lógico que não se pode distrair e é preciso sempre ficar de olho nos cocôs de cachorro que pipocam no meio do caminho e das calçadas, mas à parte disso, esse espaço é realmente de tirar o fôlego.

No final da alameda principal, um monumento com um lago em torno e atrás dele, os aquadutos romanos

à esquerda e à direita, lances de esquda que conduzem a uma parte mais baixa do parque. Pessoas tocando violão, se equilibrando em slacklines, passeando com cachorros, namorando...
Pela grade que dá acesso às ruas, outras ruelas, numa das quais,a casa de Augusto Comte, fundador do positivismo.
É. A França é tudo isso, seus reis, seus filósofos, seu iluminismo, seus cantos escuros, e no meio disso tudo, nós, de bocas abertas, nos surpreendendo com tudo, ainda. E sempre.

sábado, 19 de dezembro de 2015

A imagem da ternura



anda e anda, avenidas largas e depois ruinhas e ruelas, castelos, igrejas, muros sinuosos, barzinhos, lojinhas e do nada, virando uma esquina, num calçadão estreito e pitoresco a imagem da ternura que faz o coração da cabocla derreter...

Arte de rua



No começo, não entendi. Associei com as bicicletas brancas da cidade de São Paulo as "ghost bikes" que são colocadas nos locais onde algum ciclista morreu por acidente de trânsito

(9 http://vadebike.org/2013/02/ghost-bikes/ ).

Aí devido a essa relação, essas bicicletinhas me davam uma certa aflição no início. Mas são tantas, espalhadas pelas paredes e muros da cidade que comecei achar que não seria possível, tanta criança acidentada num lugar onde o trânsito flui pacificamente e fui pergunta pro nosso querido "Tio Google" e aí está a resposta:

http://www.marieclaire.fr/,street-art-montpellier-velos-encastres-murs-artiste-inconnu,702337.asp

ou seja:
um artista anônimo, produz essa arte de rua em montpellier, paris, bruxelas e nova iorque: bicicletas BMX, incrustadas nas paredes. Ele diz que tem a ver com sua infância e que toda criança que teve uma bicicleta dessas sonhava com grandes aventuras... ele fez a primeira arte assim em montpellier, pra impressionar uma namorada e agora elas pipocam pelas outras cidades também!!!

Então é isso! Nada de mortes, apenas uma declaração de amor pra namorada, apenas uma forma de resistência de alguém que prefere permanecer anônimo e continuar a transgredir de uma maneira eficiente e divertida!  Et Vive la France!!

Montpellier é uma cidade cheia de ciclovias e de facilidades para os ciclistas.

E oremos e lutemos para que, no Brasil, a educação e a civilidade no trânsito evolua de tal forma que as bicicletas fantasmas, pintadas de branco, possam ser repintadas em cores e flores em homenagem à uma nova geração de condutores que respeitem os pedestres e ciclistas e de governantes que apoiem a criação de ciclovias e locais pra se estacionar bicicletas.
E que as pessoas finalmente entendam que tempo não é dinheiro e que uma cidade de ciclistas é uma cidade menos poluída, mais fluida,  mais feliz!




                                                             Ciclovia em São Paulo


                                     http://www.cetsp.com.br/consultas/bicicleta/400km.aspx



sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

As ruelas de Montpellier



Há algo de pitoresco, de medieval, de árabe, de ancestral nessas ruelas estreitas, cheias de portas e janelas e lojinhas... um aconchego, talvez lembranças de vidas passadas, ou registros inconscientes de filmes assistidos ao longo da vida, sensações, memórias obscuras escondidas no mais profundo de mim, não sei. Só sei que gosto, me sinto protegida, em casa, acolhida, tranquila.
O poder de um estilo arquitetônico, a força que paredes de tijolo antigo e pedra e o entalhe das madeiras e a maneira de forjar os ferros das maçanetas, das dobradiças... é todo um conjunto que provoca a seu turno, um outro conjunto de afectos que, em uma só palavra pode ser definido: Bom!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Antígona


Antigone est un quartier de Montpellier conçu par l'architecte catalan Ricardo Bofill à partir de 1987 sous l'impulsion du maire de Montpellier Georges Frêche. La majorité des immeubles a été construite sur un style inspiré par l'architecture de la Grèce antique selon le projet de l'architecte suivant un axe qui se veut faire écho à l'est à celui qui a structuré la ville à l'ouest, avec lapromenade du Peyrou et l'aqueduc des Arceaux.





A Antígona é um bairro de Montpellier concebido pelo arquiteto catalão Ricardo Bofill a partir de 1987 estimulado pelo prefeito de Montpellier Georges Frêche. A maioria dos imóveis foram construidos inspirados pela arquitetura da Grécia antiga segundo o projeto do arquiteto, seguindo um eixo que pretende fazer espelho à leste ao que estruturou a cidade ao oeste com o callçadão du Peyrou e o arqueduto dos Arcos. (tradução Drizotti)




Bom tudo lindo, tudo maravilhoso para os arquitetos de plantão. Pra mim, sei lá... ficou estanho, impessoal. Há apartamentos, centros comerciais, mas tudo com ar de cidade deserta, parece que não há vida, tudo muito certinho, muito limpinho, muito Blade Runner, o caçador de andróides.
O agente imobiliário tinha encontrado um apartamento pra gente lá. Jamais moraria num lugar desses, dá meio medo, tudo meio vazio, perfeito demais.
O bairro onde escolhemos morar é mais real, mais vivante (como se diz aqui) perto das universidades, dos colégios onde o Nick provavelmente estude, da Escola Waldorf de Montpellier, do campo de futebol...
E é isso aí! Tudo muito lindo, tudo muito perfeito, mas prefiro a vida, o povão, a bagunça, a juventude, a alegria. E tenho dito!!!!

To levando o Brasil pra passear...

Aqui as pessoas nos perguntam a razão de termos saído do Brasil
o sonho de todas e todas é conhecer o Brasil, viver no Brasil
"O que vocês fazem aqui, vindo e um país tão lindo?"






Não hesitei em nenhuma das vezes
nem na prefeitura, nem na escola, nem no banco,
nem na reunião com o proprietário do apê
nem no restaurante, nem "nule part"

"Era hora de vir pra cá. Era hora de ficar aqui
de procurar oportunidades pro meu filho,
 de refazer minha vida profissional
sem benevolências, sem voluntariados infinitos
sem carregar as pessoas nas costas
simplesmente ser um profissional de psicologia"

E hoje, ao acordar eu compreendi tudo.
Eu não deixei o Brasil e vim pra Europa
Eu simplesmente, peguei o Brasil, coloquei numa mala
e trouxe o Brasil pra passear
trouxe o Brasil pra aprender a lutar pelos seus direitos
a não se deixar enganar pela tv e nem pelos apelos de demagogos
sejam eles políticos, burgueses,
ou "ditos" militantes folgados encostados no governo
trouxe o Brasil pra conhecer o Brasil
pra deixar de lado essa mania de "folgar" nos outros
e achar que isso é sabedoria ou inteligência
pra reconectar e ressaltar a pureza e a honestidade das pessoas do campo
das pessoas simples e trabalhadoras,
daqueles que sempre fizeram o Brasil andar
pra reativar o poder da palavra pelo "fio do bigode"
da dignidade inata, da honra de se cumprir o que se combinou
da capacidade de ser grato por um favor recebido
de reconhecer quem o ajudou e fazer o mesmo,
passar pra frente o gesto.

Hoje entendi que sou o Brasil
sou os olhos, os ouvidos e a boca do Brasil
e que vou olhar, tudo, ouvir tudo e contar tudo
que vejo aqui
pra que o Brasil conheça o Brasil
pra que "os espertinhos" que habitam cada um de nós
possam morrer pouco a pouco
e que o Brasil se torne um lugar gostoso, sério e alegre
pra se viver
e pra se voltar a viver um dia.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

No meio do caminho tinha uma casa...


No meio do caminho tinha uma casa
tinha uma casa no meio do caminho...
andando pelas ruas, procurando o que seria equivalente ao INSS aqui na França
topamos com uma rua cheia de casas assim


e é assim, do nada que castelinhos aparecem no meio do caminho
e pelas ruelas sinuosas, bares, lojinhas indianas, lojas de instrumentos musicais
comida boa pelas brasseries, pão crocante, queijos e vinhos baratos e de qualidade
pessoas civilizadas, trânsito organizado
e seguimos andando, nos maravilhando com as novidades do velho mundo
até que o tempo passe




e a vontade de Mata Atlântica, de Cerrado, de praias de areia macias sejam mais forte
que toda essa novidade cheia de requinte e capricho
e aí, em algum dia da velhice,
trocarei o requinte da sofisticação e da civilização
por um cantinho de chão, onde eu possa ver estrelas
tomar banho de cachoeira com a pele que deus me deu
usando as tintas das tatoos e as artes dos desenhos dos tatuadores como roupa
e morrerei feliz entre amigos, pássaros coloridos, saguis e o som
da água a rolar: chuá chuá!!!

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

OS TRAMs DE MONTPELLIER e o caminho do mar

 

São bondes elétricos e, por todo lado, lá estão eles, atravessando a cidade aos montes. Não se espera mais que 6 ou 8 minutos e já passa outro, cheios de gente tão diferente umas das outras que dá gosto de ver.
Mulheres de burca de todos os tipos (vi ontem uma de burca de oncinha e lenço de oncinha na cabeça). Negros atletas, rastafaris, coloridos, terno e gravata, brancos em uniforme de polícia, em roupa de moleton, senhoras idosas com suas flores e lencinhos, senhores idosos de sobretudo, poucos orientais, jovens, muitos jovens, bebês aos montes, de todas as cores e sorrisos com pais mussulmanos, ou tipicamente europeus, muitos pais com crianças, avós e netos, mocinhas de filme, mocinhos multiraciais, tudo ali, tranquilos, serenos, nem bravos, nem escancarados, mas todos, digo, todos e todas, sempre dispostos a dar uma informação ou a se desculpar por não saber responder a contento.
Onde os trams não chegam, os ônibus vão.






Sábado pegamos um deles até o terminal e depois tomamos um ônibus que nos levou à beira do mar maditerrâneo, numa avenida clara, com prédios de dois andares de ambos os lados.
 De vez em quando, a cada quadra, uma entrada pra praia, com cabines de banheiro gratuito feminino e masculino.
A praia, de uma areia meio fina, cheia de conchas bem espessas, (muito mais que as conchas de Ubatuba, por exemplo, que quebram facinho), e alguns pedregulhos pelo meio.
O mar azul clarinho, com veleiros passando ao longe.
Mar Mediterrâneo de lendas e histórias, mar mediterrâneo com a África do lado de lá, mar da Espanha, da Itália, da Grécia e do sul da França também!
E lá estava eu, diante dele, sentindo uma calma e uma serenidade novas.
Vendo meu filho se arrepiar de frio enquanto mergulhava em suas águas gélidas de inverno, e assistindo a onda leve que ia e vinha ouvi uma voz que me dizia:
"Continue assim, sem se preocupar, fez certo em ter vindo, aqui, agora é o seu lugar".


domingo, 13 de dezembro de 2015

OUTONO

OUTONO
"Le vent fera craquer les branches 
La brume viendra dans sa robe blanche 
Y aura de s feuilles partout
Couchées sur les cailloux
Octobre tiendra sa revanche." 
(Octobre - Francis Cabrel)






"O vento vai estalar os galhos, a bruma virá em seu vestido branco, haverá folhas por toda parte, deitadas sobre os pedregulhos, outubro terá sua revanche" (Música Outubro de Francis Cabrel compositor do sul da frança)

https://www.youtube.com/watch?v=B3chRntnMRw

U2 e os Eagles of Death Metal juntos em Paris

Le monde, 9 de dezembro de 2015, página 23 CULTURE
,
"Deixem-me vos apresentar as pessoas que terão suas vidas pra sempre ligadas à Paris", anuncia de repente, Bono, o cantor do U2. "Há algumas semanas, roubaram-lhes a cena, nós gostaríamos de lhes oferecer a nossa,. benvindos os EAGLES OF DEATH METAL!"
Segunda, 7 de dezembro, 22h53, os rockeiros americanos entraram novamente em cena, à Paris, convidados pelas estrelas irlandesas, menos de um més depois dos atentados ao Bataclan.
(...)
Diante da arena superexcitada da antiga Bercy, o grupo liderado pelo cantor Jesse Hugges, vestido totalmente de branco, deixa explodir uma energia feita da fúria de tocar e da alegria de viver apesar de tudo. "Eu amo tanto vocês!" quase se engasgando o músico de Palm Desert agitando uma bandeira azul-branca e vermelha "Eu nunca pararei o rock'n roll!"
(...)
Entre as canções, Bono se referiu à atualidade: "Querem nos amedrontar? querem que denunciemos nossos vizinhos? Não cederemos ao ódio, nós recusaremos a nos tornarmos monstros para destruir um monstro."
O líder do U2 celebra os: "fazedores de paz que tem a coragem do compromisso". Ele se diz solidário às famílias das vítimas de Paris e St-Dennis, San Bernandino, Istanbul, Beyrouth ou Damas. Mas também às famílias dos terroristas, igualmente vítimas de "uma ideologia que perverte a magnífica mensagem do Islam".

(tradução: Drizotti de trechos da notícia publicada no Jornal "Le Monde" de 9/12/15)


sábado, 12 de dezembro de 2015

Castelo de Grammont

Hoje fomos visitar o Castelo de Grammont e suas imediações que contam com campos de futebol  gratuito para treino, pistas de skate e um amplo espaço para caminhadas!
 o sistema de transportes públicos daqui é maravilhoso, compramos um ticket de 24 horas, tipo vale transporte por 4 euros cada um e fomos de tram (bonde elétrico) e depois de ônibus até Grammont que fica totalmente fora da cidade, perto do trevo que vai pras praias.





ao lado do centro de formação de atletas há um castelinho com um bosquinho muito lindo. essa árvore grande da foto acima é um cedro libanês e esses dizeres acompanham uma espécie de gaiola com lenha dentro. no início eu pensei que fosse pra quem quisesse fazer uma fogueira (típico da minha parte pensar isso) mas lendo as placas soube que é pra preservar o eco sistema e servir de ninho aos polinizadores!! demais, né?




sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Primeiras impressões, primeiras providências _ Escola pro Nick



Aqui as pessoas usam muito a buzina do carro, coisa que não acontece tanto no Brasil e, vira e mexe ouvimos uma buzinadinha nervosa, rsrs

. estamos hospedados num apartamento provisório que conseguimos pelo air b & b , um site de aluguel provisório de casas e apês do mundo todo, já vem com móveis,  tipo flat. no caso o apê daqui é de dois estudantes de Economia e Informática da Universidade e deixaram até as roupas e notebook no armário!  bate um sol gostoso à tarde, na sala e na cosinha que é equipada com fogão, geladeira tipo frigobar, panelas pratos, copos etc. tem aquecimento central, o chuveiro é fraco mas ´ta valendo.
o bairro aqui tem ruas estreitas, disk pizza, salão de beleza, loja de conserto e venda de acordeons, floristas, carrefour express (um mini mercado menor que o Favettinha de Araras), bares, cafés, e a Gare, estação de trem que não fica longe. (foto abaixo)






hoje fomos nesta escola (foto abaixo) o Colège les Aiguerelles, que tem o Espace Senghor que é um serviço de adaptação, ou seja, um programa de acolhida ao jovem francês que retorna à França. onde, segunda feira, 11:30 o Nick fará testes do nível de francês e do conteúdo escolar (em português) pra saber onde se adaptará. Depois disso eles vão ver a disponibilidade de vaga nos Licées que são escolas públicas de ensino médio na cidade. 
aqui as pessoas são simpáticas e acolhedoras, super diferente dos parisienses que "se acham", rsrs. faz um frio gostoso, sol sempre !! 


Chegando em Montpellier

Estamos perto da Estação de trem e da praça de la Comedie.

Na Place de la Comedie, tem um monumento e em torno deste monumento, as pessoas puseram cartazes e flores com os nomes das pessoas mortas nos atentados, e pedindo paz entre os povos, fim do comércio de armas, etc, fotos, muitas flores tipo a homenagem aos mortos das torres gemeas que a gente vê em fotos de Nova Iorque



                                                      a cidade é demais!
não tem sarjeta, parece a suiça com aqueles trams tipo bonde, coloridos com flores ou grafites
tem carrossel e brinquedos para crianças pelas praças

As crianças andam de patinete pelas ruas, pais e mães empurrando carrinhos com bebês, (um número igual des homens e mulheres cuidando dos bebês, viva o fim do machismo!)...,
tudo tranquilo, mas dá perceber alguns caras tipo "espertinhos" , tipo, se ficar distraído ou der mole pode rolar algum golpinho,
mas nada da violência que a gente vê mais no brasil...



quanto aos atentados, a frança inteira está em estado de alerta,
o exército pelas ruas e pelos aeroportos
mocinhos da idade do nick, fardados, com fuzis, carinha de bonzinhos
em grupos de três sempre
mas não é aquele medo que a gente sente quando vê PM

eles só ficam passando pelos lugares públicos...
há artistas de rua, grupo de tiozão cantando e tocando Blues, mímicos, mocinho com guitarra e microfone cantando versões de músicas de desenhos da Disney, uma salada cultural!
ao longo de uma Alameda com aquelas árvores típicas que caem folhas no inverno, há um bazar de inverno, com lojinhas ndividuais estilo chalezinhos de Monte Verde, tudo no mais puro capricho, com comidas típicas, vinho quente, artesanatos, muito muito lindos!



as coisas são caras, mas fizemos uma compra no mercado hj e ficou equivalente ao brasil, então se fizermos mais comida em casa e menos lanchonetes e restaurantes vai dar bem
to muito feliz aqui, eu tinha saudade da frança mas não dava o braço a torcer, o pão, os queijos, os vinhos, as pessoas se comportando bem nas ruas e no trânsito, é gostoso ficar no meio das coisas que funcionam e das pessoas que dirigem bem, etc
mas a alma e o coração continuam e sempre continuarão brasileiros e é isso que faz com que sejamos tão bem tratados ea colhidos aqui, nossa alegria, nosso charme tropicalientes, rsrs
fiquem todas e todos em paz, com um beijo no coração e a certeza de que sempre estaremos juntas/os "mesmo que o tempo e a distância digam não!"

A DOR DA PARTIDA (Drizotti)



"dor do parto
já que parto
deixo partido
meu coração
e me vejo partir
em mil partes
mil pedaços
espalhados por tantos corações
e me faço forte
pedaço- pé de aço
peito de ferro
partindo indo e rindo
pois sei que no fundo (e no raso)
tempo e espaço
são ilusões deste mundo
e que o amor é mais:
'e o que a gente leva dessa vida coração
é o amor que a gente tem pra dar'
e que assim seja!"

LOBO


Menino Lobo, menino bobo, menino bom!


Parto e deixo o Lobo, o cão, sob os cuidados do Prone, amigo amor xará de sempre...


tatuagem mandala feita por Ruben Gouveia

Um floco de neve, 
uma mandala, 
uma lua e o lobo a uivar 
e a esperar que eu encontre um lugar 
que nos acolha a todos 
e que ele possa embarcar nessa nave cigana com a gente
e que a vida possa ser diferente







Lobo e a Lua
Lobo menino
Lobo criança
Menino lobo, menino bobo, menino bom
espere por mim, amigo, espere que eu chego já
te mando buscar amigo
não canse de me esperar.
Na primavera dos tempos, um lugar pra você encontrarei e te trarei...

                                                ***



Gratidão ao Rubén, Zé Pequeno que me ofereceu
a tatuagem  de mandala na véspera da partida
tatuador, filho amigo irmão Ruben Gouveia


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

JANEIRO 2015








Lá se vai janeiro, com seu marasmo, com seu calor, com sua seca, com a falta d’água
Lá se vai janeiro, com suas esperanças, com seus votos de um ano bom
Lá se vai ele
E fica um alívio, uma vontade de trabalhar
Uma vontade de correr atrás do prejuízo
De pagar as contas, 
os impostos 
in-evitáveis

De viver

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

O não-lembrar

Aquilo não era vida. Aquilo era apenas uma existência doída e doida, sentida e sem sentido mantida em funcionamento por alguma força que emanava de algum ponto do universo. Algo que pulsava muito além de sua vontade e a mantinha assim, fazedeira, cozinheira, passadeira, lavadeira, até quando o sistema parasse, até quando o universo se cansasse. Era uma saudade em forma de esquecimento. Em forma de servidão e atividades múltiplas. Um não lembrar feito lavagem cerebral, um eletrochoque de adrenalinas e falsas paixões, viagens, prêmios e abraços que a apertavam até quase sufocar. Só porque estava viva, só porque nem mesmo assim, iria se lembrar. Para que se lembrasse, era preciso que primeiro armasse toda a estrutura. Uma estrutura sólida, composta de paredes, lençóis brancos, toalhas coloridas cheirando à arlecrim. (Drizotti na edícula, junho de 2014)

A poesia me invade...

“A poesia me invade. Não em ondas doces, mas feito água represada, inundando os campos geométricos onde eu havia, minuciosamente semeado fileiras de margaridas amarelas. A poesia me arrebata e me invade feito mata atlântica, feito sol de primavera em meu peito de mulher quase velha”. (Drizotti na Edícula, setembro de 2013)

Vácuo deserto

“E deixava-se estar naquele tempo/espaço tênue, entre a realidade da vida e o vácuo deserto de seu não-pensar, suspensa num tubo, buraco de minhoca cósmico onde, não sendo nada além de um ser não-pensante, descansava da intensidade do cotidiano que lhe roubava as forças entre esperas na esquina e sorrisos falsos de falsas amigas. A dor do mundo corroia-lhe as entranhas, convertendo-se em suspiros longos como se todo o ar do quarto pudesse ser aspirado e coubesse em seu peito grande de tanto amor imaginado. Faltava-lhe mesmo era coragem para se olhar no espelho sem vaidades e descobrir, que, há muito, estivera morta por dentro, morta em esperança e sabedoria, faltava-lhe vida (e haveria vida após a morte?) mas como livrar-se dessa agonia escamoteada em risos e palhaçadas? Como livrar-se de tudo que tinha construído para si sem correr o risco de constatar que não era e nem nunca tinha sido nada? Feito ameba, planta ou pedra, ou menos? Feito idéia não realizada de um inventor maluco mestre do universo, cínico construtor de pontes que vão do nada a lugar nenhum? Palhaço sem graça assoprando bolhas de sabão ao vento? Como suportar tamanha i-realidade?” (Drizotti no auge da depressão. Edícula, março de 2013)

Regenerar Re-gerar Gerar Refazer Genes

Não fosse pelo tamanho das árvores, jamais saberia medir o tempo, contar em anos de meses desde o dia em que seus pés tinham pisado pela primeira vez naquele chão de pedras e musgos, naquele cerrado de cheiros, espinheiros e folhas sedosas das quaresmeiras que desabrochavam sua vida fúxia nas secas temporadas de julho. Não fosse pelas rugas em torno de seus olhos cansados, pelo seu ventre entumecido pelos açúcares e carboidratos da ansiedade e da angústia, formando dobras feito marolas largas em alto mar, jamais poderia ter calculado os mililitros de metros cúbicos das muitas gotas de lágrimas derramadas graças a uma mania insistente de amar e de se dar e de cuidar e de esperar e de des-esperar e se conter e quase explodir e aguentar. Não fosse pelos fios de cabelos brancos, ocultos pela henna indiana, astutos e velozes no ato de se revelar pelas raízes da fronte e das têmporas, tampouco teria sabido medir a extensão em kilômetros de todos os pensamentos já passados pela sua cabeça, se assim possível fosse, alinhá-los, feito vagões de trem rumo ao horizonte infinito. Mas hoje não. Hoje serenara o peito, aquietara a mente e seu ventre se aquecia com uma chama leve e quente que conseguia substituir, magistralmente, o antigo e devastador fogo das paixões. Era como se, finalmente, aos cinquenta anos de vida, começasse a gestar a si mesma. Era como se estivesse se preparando para parir-se, para recriar-se, re-educar-se e assistir-se no sentido mais amplo desta palavra que engloba assistência cuidadora e maravilhamento de expectador. Assistia esse refazer-se, assim como tinha assistido àquela terra se regenerar após sucessivos incêndios e profanações de golpes de machado e motosserras. (Sítio Cavalinho Pucareno, São Thomé das Letras, 2013)

domingo, 25 de janeiro de 2015

Serenidade

"Aprendera a placidez dos animais, o dormência vigilante de deixar-se arrastar pelas águas do rio das horas. Não precisava mais correr, não precisava mais pensar, planejar, estruturar, concatenar; as coisas simplesmente aconteciam, feito brisa, feito chuva, feito som de cigarras no cair da tarde" (Trecho de um novo romance - Drizotti)

Clarices Lispector - Só

Ando de um lado para outro, dentro de mim. Estou bastante acostumada a estar só, mesmo junto dos outros.

O Tempo (Carlos Drummond de Andrade)

"Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um individuo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para diante tudo vai ser diferente. Para você, desejo o sonho realizado, o amor esperado, a esperança renovada. Para você, desejo todas as cores desta vida, todas as alegrias que puder sorrir, todas as músicas que puder emocionar. Para você, neste novo ano, desejo que os amigos sejam mais cúmplices, que sua família seja mais unida, que sua vida seja mais bem vivida. Gostaria de lhe desejar tantas coisas... Mas nada seria suficiente... Então desejo apenas que você tenha muitos desejos, desejos grandes. E que eles possam mover você a cada minuto ao rumo da sua felicidade."

sábado, 24 de janeiro de 2015

Coração gasto - Krill

CORAÇÃO / QUERO OUTRO/ NOVO/ CASTO/ QUE ESSE/ JÁ TÃO ROTO/ GASTO/ CANSADO/ DE TANTOS/ EMBARAÇOS/ VOU DESFAZER/ ALGUNS LAÇOS/ PARA ME AMARRAR/ OUTRA VEZ (Krill - Na parede da Rep. Pacha Mama de Rio Claro...)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Só que não... by Chico Buarque

Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito Exijo respeito, não sou mais um sonhador Chego a mudar de calçada Quando aparece uma flor E dou risada do grande amor Mentira!!! (Samba do Grande Amor - Chico Buarque de Holanda)

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

José Saramago

Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar. (SARAMAGO, J. O conto da ilha desconhecida. [ils. Bartolomeu dos Santos] Lisboa: Editorial Caminho. 1999).

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

AMOR FEINHO - Adélia Prado

Eu quero amor feinho. Amor feinho não olha um pro outro. Uma vez encontrado, é igual fé, não teologa mais. Duro de forte, o amor feinho é magro, doido por sexo e filhos tem os quantos haja. Tudo que não fala, faz. Planta beijo de três cores ao redor da casa e saudade roxa e branca, da comum e da dobrada. Amor feinho é bom porque não fica velho. Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é: eu sou homem você é mulher. Amor feinho não tem ilusão, o que ele tem é esperança: eu quero amor feinho.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Simulação e Simulacro

“Dissimular é fingir não ter o que temos. Simular é fingir ter o que não temos”. (JEAN BAUDRILLARD)

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

...muito leve leve pousa!

Leve, como leve pluma Muito leve, leve pousa. Muito leve, leve pousa. Na simples e suave coisa Suave coisa nenhuma Suave coisa nenhuma. Sombra, silêncio ou espuma. Nuvem azul Que arrefece. Simples e suave coisa Suave coisa nenhuma. Que em mim amadurece (Amor-Secos & Molhados)