Diário de viagem, traduções, poemas e desabafos das minhas andanças pelo meu mundo adentro e por esse mundo afora...
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Vácuo deserto
“E deixava-se estar naquele tempo/espaço tênue, entre a realidade da vida e o vácuo deserto de seu não-pensar, suspensa num tubo, buraco de minhoca cósmico onde, não sendo nada além de um ser não-pensante, descansava da intensidade do cotidiano que lhe roubava as forças entre esperas na esquina e sorrisos falsos de falsas amigas. A dor do mundo corroia-lhe as entranhas, convertendo-se em suspiros longos como se todo o ar do quarto pudesse ser aspirado e coubesse em seu peito grande de tanto amor imaginado. Faltava-lhe mesmo era coragem para se olhar no espelho sem vaidades e descobrir, que, há muito, estivera morta por dentro, morta em esperança e sabedoria, faltava-lhe vida (e haveria vida após a morte?) mas como livrar-se dessa agonia escamoteada em risos e palhaçadas? Como livrar-se de tudo que tinha construído para si sem correr o risco de constatar que não era e nem nunca tinha sido nada? Feito ameba, planta ou pedra, ou menos? Feito idéia não realizada de um inventor maluco mestre do universo, cínico construtor de pontes que vão do nada a lugar nenhum? Palhaço sem graça assoprando bolhas de sabão ao vento? Como suportar tamanha i-realidade?”
(Drizotti no auge da depressão. Edícula, março de 2013)
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