http://markmanson.net/brazil
a tradução está neste link
http://markmanson.net/brazil_pt
e no facebook um vídeo da Bel Pesce lendo a tradução
https://www.facebook.com/BelPesce/videos/1252720611422579/?hc_location=ufi
Diário de viagem, traduções, poemas e desabafos das minhas andanças pelo meu mundo adentro e por esse mundo afora...
domingo, 14 de fevereiro de 2016
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
A missa no Santuário Saint Roch
E ontem, mais uma vez, saí andando, flanando pelas ruelas como sempre aqui por essa cidade medieval.
Passei na frente
de uma igreja, entrei: Santuário de Saint Roch (o padroeiro da cidade). Tem a Catedral São Roque, imponente e alto e o Santuário, fofinho entre becos e ruelas.
Nem fiz os três pedidos,
esqueci. Também, tá tudo tão dando certo, tá tudo pedido, tá tudo concedido! Deus sabe
o que precisamos antes mesmo de pedirmos,, já diz a lenda...
E aí a missa ia começar, estavam ajustando os microfones, acendendo as luzes e
afinando o órgão e as vozes e aí fui ficando, assisti a missa, falei tudo em
português e cantei músicas em português baixinho na hora do ofertório ("Receba , ò Senhor a nossa oferta que será então ,na certa o seu próprio ser")>
Na hora
do” Santo Santo Santo, Senhor Deus do Universo”, encaixei a música “Buscai
primeiro o reino de Deus e a sua justiça e tudo o mais vos será acrescentado
Aleluia Aleluia!” numa hora nada a ver, só pra cantá-la baixinho, rsrs
E na hora da comunhão, eu comunguei.
Comunguei pela primeira vez desde a separação. Aqui me sinto digna de comungar.
Aqui não sou separada. Aqui foda-se, ninguém sabe e eu comunguei.
Na comunhão o padre-mor dava a hóstia e depois, ao lado, um coroinha
chinês jovem segurava um cálice com vinho.
Fiquei observando. Algumas pessoas bebiam na taça dourada e aí o jovem
chinês limpava a “baba” com um pano sagrado e eu ficava me perguntando se o
vinho ia dar pra todo mundo. Mas aí outras pessoas só “tchotchavam” a hóstia no cálice. Eu preferi
“tchotchar”, fiquei com nojinho...
Os que bebiam, bebiam todos naquele mesmo cálice, tipo "microbiagem" mesmo. Todos do mesmo cálice, o sangue de Cristo. Gosto dessa galera meio “foda-se”
praquele excesso de higiene e nojo que o Brasil inventou de ter agora,
importando dos EUA essa higienização das relações e dos ambientes. É como um
vírus, o vírus de ter nojo. Acho que peguei um pouquinho esse vírus, rsrs.
E rezei o pai nosso em português mas prestando atenção ao jeito francês
de rezar “Père nôtre (...), pardonez nos ofenses...”
Na hora da “Paz de Cristo” me emocionei. Me emocionei “aux larmes”.
Dar a mão a todas essas pessoas, desejar a paz... e desejei a paz de
cristo às pessoas em torno, à negra de peruca loira, ao casal de idosos, ao
senhor que o telefone tinha tocado e ele não conseguia desligar, às mocinhas
branquinhas que nem davam a mão direito....Mais adiante tinha também mais
negros, um japonês, um casal de chineses, um casal de ocidentais, talvez
franceses e mais uma galerinha que tanto podia ser francesa, como europeus em
geral pelos traços e pela cor...
E foi bom ter ido à Igreja. Meu berço religioso, minha religiosidade mãe
é o catolicismo, mesmo que eu fique atéia de vez em quando, ou budista, ou
espírita, ou umbandista. A missa é o colo da minha religiosidade e me traz
conforto e paz. Mesmo que eu esteja confortada e em paz. Mesmo assim é bom.
Depois saí de novo pelas ruelas "mediebelas" e passei na frente do consultório que tem umas salas pra alugar.
Era pertinho de lá. E ao lado tem um restaurante chinês. Menu a 9.50 euros.
Almocei lá. Como quem almoça no bairro. O bairro do consultório. e desci e
virei a esquina e vi que tem uns barzinhos, restaurantezinhos bem legais por
lá. E descendo já é o Observatoire. E pronto, o ponto do Tram pra voltar pra casa!
Ponto e Pronto!
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
FUNCIONÁRIOS BESTAS - E É PORQUE É MÊMO!!!
Eita povinho besta!
Uma graça, liberdade, igualdade,
cultura literatura, etc e bla e tal e blá
Mas fraternidade nada! E aí tem hora
que a gente tem que mostrar os caninos, assim bem expostos mesmo, com um
sorrisinho Drizotti no final, tipo morde e assopra e agora, hop!
Parece que as coisas começam a
funcionar!
Esse cartão de crédito que não
chegava, e esse idiotinha do banco, todo estressadinho e engomadinho que me
enrolava. E eu humilde e eu sorrisinho como sempre.
Ah, mas não agora
Agora não mais
Fui lá essa semana. Cheguei com meu
ar 437, modelo, acessora do presidente dos Estados Unidos.
Falei com uma outra senhora, mal
cumprimentei o idiota e disse que talvez feche a conta, que era um absurdo
demorar mais de um mês pra ter um cartão de crédito e aí essa outra disse que
se eu fizesse um seguro do apê que liberava e que “como a senhora não tem um
seguro da casa? Ainda mais em Montpellier!” tchu tchu tchu bla blabla
E aí eu falei que era realmente um
absurdo ter que fazer um seguro pra liberar algo que é de direito meu e etc e
que se fosse fazer seguro nem sabia se faria lá porque queria pesquisar os
preços e etc e tal.
E que além disso eu já tinha pensado
até em fechar a conta nesse banco porque era inadmissível o que estava
acontecendo. E que eu não domino a língua e isso me coloca em inferioridade
perante a situação,
Aí ela que tinha começado a ameaçar
ficar bestinha também, colocou o rabinho no meio da perna e disse que eu falo
muito bem francês e risadinhas e simpatiquinha e “oui oui oui”.
E eu disse que não bem o suficiente
pra me impor da maneira que gostaria, com minha cara de “diretora de escola dos
anos 50”. Talvez uma das sombrancelhas levantadas pra impressionar mesmo.
E aí tinha esse papel do correio que
não chegava. E aí o bonhomme passa e “Bonjour Madamme, ça vá?” e eu de sorriso
amarelo cor de bosta de recém nascido e ele explica e eu lá, em cima do meu
tamanco de bahiana, emprestado de alguma entidade arretada que me acompanhava
naquele momento. E então eu tinha que ir no correrio com o papel do recibo.
Aí venho pra casa, pego algo que se assemelha
com o tal papel, vou até o correio embaixo de chuva e não era aquele papel.
Lógico. O tal papel tinha ficado no banco com o engomadinho. Ainda bem que o
funcionário do correio era um fofo e já foi várias vezes pro Brasil e ainda me
ensinou a usar a máquina de pesar cartas e calcular o valor e receber moedas
automaticamente que tem lá. E eu mandei um cartão postal pra vó do Nick que tem
90 anos e mora na Bélgica. E passei na padoca da moça simpática e comprei
croissants pro Nick e voltei pra casa bela e formosa e chovia menos.
Passei o dia de ontem ignorando essa
situação. Feito pão. Que a gente não mexe e deixa crescer pra ver o que deu. Fiz
comidas, escrevi, fiz uma baita faxina na casa, fui ao supermercado e vida
normal. E quem disse que eu queria um cartão de débito? E foda-se.
Aí hoje, acordo bem, sem dores no
pescoço e na cabeça (depois dos dois Tandrilax de ontem de de antes de ontem. e
sem azia nem dores no estômago pós Tandrilax graças ao chá de gengibre com maça
e ao jejum de café).
E acordo o Nick e sirvo o leite e
digo tchau boa aula e lavo roupas, cozinho um almoço bem gostosinho pro meu
Nick. E ele vem e ele vai de novo porque a escola tem aula a tarde também. E tomo
um banho, deito no sol da tarde delícia que entra pelo vidro da janela de meu
quarto iluminando a cama, durmo e aí ligo pro tar do Zé Mané do banco. O tal do
engomadinho. Estava em reunião. Disse que me ligaria mais tarde.
E eis que pronto! Acabou de ligar e
me pergunta se tenho uma carteira de identidade brasileira. Eu digo que sim.
Então que vá até lá amanhã e fale com ele. Mas tem que ser com ele pq outra
pessoa não irá me entregar o cartão.
Ah! Ah! Ah!
Então tá.
Então merci
beaucoup, monsieur le renard, anão de jardim.
Pronto.
Aprendeu a trabalhar nesse meio
tempo ? que bom!
Amanhã tô aí.
E brigada, merci bocú (cú cuú mesmo)
por me ensinar como tratar os tipinhos e tiposas como vocês daqui pra frente.
O segredo é o seguinte. Porcos
capitalistas a gente conserva no chiqueiro de nossas relações e a galera
humilde e simples, com brilho no olhar e sorriso nos lábios, a gente guarda com
carinho no mais fundo de nosso coração.
E é isso.
”E é porque é mêmo. E eu num tô aqui
pra fazer jardinho não!! Pranto e pronto!”
ESTADO LAICO: NÃO EXISTE PECADO DO LADO DE CIMA DO EQUADOR
Estado Laico funcionando do jeito que precisa ser. To gostando disso!
Na escola do Nick não pode entrar de boné, nem de gorro, nem chapéu, nem
burca, nem turbante. Cabeça descoberta. Estado laico. Religião da porta pra
fora da escola.
Bom isso.
Enquanto isso, eu, devota de Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora das
Graças, Nossa Senhora da Conceição, São Jorge, São Miguel Arcanjo e São João
Evangelista, e é claro, dando um alô de quando em vez pra Nossa Senhora
Desatadora dos Nós, Santo Expedito e o Anjo da Guarda, eu, Adriana Dezotti
Fernandes, deixo minha fé no travesseiro, nas imagens do criado mudo e em meu
coração cristão, permitindo que meu cérebro raciocine com os meios que ele tem:
lógica, memória, aprendizado e deduções, frutos de armazenagens e massagens na massa cinzenta, dita pensante.
Fica mais fácil assim. Ado, a ado, cada um no seu quadrado.
Assim não queimamos bruxas
Assim não explodimos discotecas, praças e botecos.
Assim não deturpamos o que é de todos.
Respeitando o que é de cada um, seja a religião, o ateísmo ou a vontade
de não ter uma opinião formada sobre tudo.
Liberdade é isso. Uma escola que ensina o que deve ser ensinado em uma
escola. A história de seu país e do mundo, o idioma usado pela população de tal
país, assim como a produção literária e as regras pra se escrever em tal
língua. Mais duas línguas estrangeiras. Matemática, ciências, etc e tal.
A religião será então divulgada e praticada pelos adeptos nos locais
designados pra tais atividades, sejam igrejas, mosteiros, mesquitas ou templos
determinados pra tal fim, (inúmeros, múltiplas opções de escolha). Ou pode ser
cultivada na família. Ou não.
Muito prático.
Muito eficiente.
Muito bom!
Minha lógica parece funcionar melhor num país assim.
(E minha fé, diga-se de passagem, tem se fortalecido cada dia mais, nesse
mundão de meu Deus!)
domingo, 17 de janeiro de 2016
UM SÁBADO À TARDE SOBRE A TERRA...
Lá fora, três espécies de pinheiros, árvores que perderam suas folhas nos invernos, imensas gralhas brancas e negras no gramado da grande casa de pedra do vizinho.
E tem o vento. E o sol.
Sempre o sol nesse sul da França abençoado.
E o filho fazendo trabalho de espanhol na médiatheque de Mosson com os amigos de escola.
Ele já tem dois amigos franceses, um amigo negão que passou a vida na China e o árabe pequenino, todo confiante.
E cá estamos nós. No meio desse “rédemunho”: entre negões cidadões do mundo, árabes machistas que “se acham”, mulheres de cabeça coberta simpáticas e sorridentes e que me observam curiosas e franceses e francesas que têm a República como orgulho e como símbolo a bela Mariane, mostrando as tetas, e a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade como princípios máximos e absolutos (só que não e vamos descobrir, juntos, até que ponto),
Ontem saímos de nossa periferia árabe e pós moderna e fomos dar um rolê pelo lado antigo e medieval da cidade. São duas dimensões completamente diferentes. Aqui são os predinhos dos anos 70 e 80, baixos, de um, dois, no máximo três andares (acho que devido àquele papo do Luis XIV que fez uma lei que não poderiam ser construídos edifícios mais altos que a Promenade de Peyrou etc e tal ou se simplesmente é uma lei urbana aqui (e na França em geral) mas o que conta é que os prédios são baixos, feito Praia Grande de Ubatuba, ou Tenório ou Itaguá.
Apesar do sol, do céu azul, dos pinheiros e dos pássaros à prova de frio. Faz frio, muito frio pra nossa pele de brasil. Cinco graus. No sol.
As aves que aqui gorjeiam, definitivamente, não gorjeiam como no Brasil. Mas é um som legal. Um gorgeio bom. Será que gorgeio vem de gorge que quer dizer garganta em français? Surement. Com certeza e com cerveja.
Só sei que tô bem.
É bom estar aqui, longe de tudo e de todos. Blancheur. S’éffacer du monde.
David le Breton, no livro “DisparaÎtre de soi” analisa isso. Me analisa. Querer sumir sem morrer. Simplesmente se dar o direito de recomeçar. Se reinventar.
E o vento ventando “e o nó na madeira, festa da cumeeira”. Como a festa no telhado da casa do Plá. “Pedra de atiradeira.”
E a vida tá boa aqui. Simples e boa. De cozinhar e lavar roupas e estender e dobrar e comprar coisas pra cozinhar e esperar o filho e escrever e socializar com a vizinhança do prédio aqui. Super gente boa. Nem frios. Nem entrões.
Sempre o sol nesse sul da França abençoado.
E o filho fazendo trabalho de espanhol na médiatheque de Mosson com os amigos de escola.
Ele já tem dois amigos franceses, um amigo negão que passou a vida na China e o árabe pequenino, todo confiante.
E cá estamos nós. No meio desse “rédemunho”: entre negões cidadões do mundo, árabes machistas que “se acham”, mulheres de cabeça coberta simpáticas e sorridentes e que me observam curiosas e franceses e francesas que têm a República como orgulho e como símbolo a bela Mariane, mostrando as tetas, e a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade como princípios máximos e absolutos (só que não e vamos descobrir, juntos, até que ponto),
Ontem saímos de nossa periferia árabe e pós moderna e fomos dar um rolê pelo lado antigo e medieval da cidade. São duas dimensões completamente diferentes. Aqui são os predinhos dos anos 70 e 80, baixos, de um, dois, no máximo três andares (acho que devido àquele papo do Luis XIV que fez uma lei que não poderiam ser construídos edifícios mais altos que a Promenade de Peyrou etc e tal ou se simplesmente é uma lei urbana aqui (e na França em geral) mas o que conta é que os prédios são baixos, feito Praia Grande de Ubatuba, ou Tenório ou Itaguá.
Apesar do sol, do céu azul, dos pinheiros e dos pássaros à prova de frio. Faz frio, muito frio pra nossa pele de brasil. Cinco graus. No sol.
As aves que aqui gorjeiam, definitivamente, não gorjeiam como no Brasil. Mas é um som legal. Um gorgeio bom. Será que gorgeio vem de gorge que quer dizer garganta em français? Surement. Com certeza e com cerveja.
Só sei que tô bem.
É bom estar aqui, longe de tudo e de todos. Blancheur. S’éffacer du monde.
David le Breton, no livro “DisparaÎtre de soi” analisa isso. Me analisa. Querer sumir sem morrer. Simplesmente se dar o direito de recomeçar. Se reinventar.
E o vento ventando “e o nó na madeira, festa da cumeeira”. Como a festa no telhado da casa do Plá. “Pedra de atiradeira.”
E a vida tá boa aqui. Simples e boa. De cozinhar e lavar roupas e estender e dobrar e comprar coisas pra cozinhar e esperar o filho e escrever e socializar com a vizinhança do prédio aqui. Super gente boa. Nem frios. Nem entrões.
Aleluia, hosana nas alturas. Êpa hey meu pai!
Tudo sob controle
E tem eu
Tudo sob controle
E tem eu
E a casa
E as coisas
E esse note
Onde I note
E anoto
As palavras que dizem de mim
De minha vida de agora
O note
Anote ando
A note ado
De noite e de dia
Sempre
Sem sábados
Sem obrigações
Só sendo
E sendo só.
E as coisas
E esse note
Onde I note
E anoto
As palavras que dizem de mim
De minha vida de agora
O note
Anote ando
A note ado
De noite e de dia
Sempre
Sem sábados
Sem obrigações
Só sendo
E sendo só.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
Corconne
Corconne, uma cidadezinha a 38 km ao norte de Montpellier com montanhas, pedras e uma vegetação tipo cerrado que lembra muito São Thomé...
hajam letras pra descrever a sensação de inteireza e tranquilidade ao me dar conta de que o planeta inteiro é um só canteiro de flores e, como diz Zé Geraldo: "uma parte do mundo é nossa morada e a outra parte é nosso quintal"!
hajam letras pra descrever a sensação de inteireza e tranquilidade ao me dar conta de que o planeta inteiro é um só canteiro de flores e, como diz Zé Geraldo: "uma parte do mundo é nossa morada e a outra parte é nosso quintal"!
E como dizia Tom Jobim...
Um ano após o atentado na redação do jornal "Charlie Hebdo", a tv e os jornais, só falam nisso. Tipo Globo, SBT, Record, sensacionalisando e meio que apavorando a gente.
Comprei o jornal de ontem (imagem da capa anexada abaixo) e já li quase inteiro. Dessa vez eles provocam os católicos...
Eles continuaram a publicar e dos 10 mil assinantes que tinham no começo de janeiro de 2015, passaram a ter 220 mil após os atentados. Essa edição de um ano do que eles chamam de "carnificina" traz depoimentos dos sobreviventes e poemas de pessoas famosas como Isabelle Adjani, Charlotte Gainsbourg e Juliette Binoche, entre outros. Todos defendendo o direito da liberdade de expressão e do Estado Laico.
Não sei o que pensar. Ano passado, quando aconteceu, eu estava no Brasil e pensei que não era nada legal ficar zombando da religião alheia, mas também que nada, nunca nesse mundo justificaria a atitude dos irmãos Kouachi, disparando cerca de sessenta tiros numa sala de 20 mts² para defender a honra de Alá.
Hoje, aqui, penso que, realmente, essa liberdade de expressão conquistada e mantida pela França até os dias de hoje é uma preciosidade e se curvar a bárbaries como essa seria, mudando o comportamento, de certa forma, abrir mão desses direitos.
Como estrangeiros brasileiros, contamos com um acolhimento e uma simpatia inesperados por mim, que tinha vivido ilegalmente na Paris dos anos 90 e tinha sentido na pele o que é ser um imigrante. As pessoas dos serviços públicos, das escolas, enfim, as pessoas em geral são muito carinhosas e simpáticas com a gente aqui, gostam do nosso sotaque, suspiram nostálgicos quando explicamos que somos do Brasil.
Mas basta uma pequena situação, como ver o filho indo pra escola sem conhecer ninguém, ou ter que comprar um bilhete de tram e não ter moedas certas pq a máquina não dá troco ou tirar uma foto 3 X 4 numa máquina automática e não conseguir fazer com que funcione, que já nos sentimos menos empodeirados, meio que desamparados...
Mas, e os demais imigrantes? como são acolhidos? como são tratados? Como lidam com a tecnologia onde as pessoas foram substituídas por máquinas?
Todos os terroristas, até hoje, eram pessoas que nasceram na frança, filhos de pais árabes... de certa forma, são como aqueles adolescentes norte-americanos que atiram nos colegas de escola que fizeram bullying com eles. Talvez aqui seja como se todo o país fizesse uma espécie de bullying com os estrangeiros, apesar de acolhê-los oficialmente.
Bom, enfim. Terror à parte, as pessoas estão por aqui, pelas ruas, indo e vindo, continuando suas vidas, ... e nós também!
Seja sob o manto de Nossa Senhora Aparecida, sob os olhos de Alá ou sob a lógica positiva do ateísmo.
No fundo, é como dizia Tom Jobim:
"Viver no exterior é bom, mas é uma merda.
Viver no Brasil é uma merda, mas é bom".
(Antonio Carlos Jobim)
Comprei o jornal de ontem (imagem da capa anexada abaixo) e já li quase inteiro. Dessa vez eles provocam os católicos...
Eles continuaram a publicar e dos 10 mil assinantes que tinham no começo de janeiro de 2015, passaram a ter 220 mil após os atentados. Essa edição de um ano do que eles chamam de "carnificina" traz depoimentos dos sobreviventes e poemas de pessoas famosas como Isabelle Adjani, Charlotte Gainsbourg e Juliette Binoche, entre outros. Todos defendendo o direito da liberdade de expressão e do Estado Laico.
Não sei o que pensar. Ano passado, quando aconteceu, eu estava no Brasil e pensei que não era nada legal ficar zombando da religião alheia, mas também que nada, nunca nesse mundo justificaria a atitude dos irmãos Kouachi, disparando cerca de sessenta tiros numa sala de 20 mts² para defender a honra de Alá.
Hoje, aqui, penso que, realmente, essa liberdade de expressão conquistada e mantida pela França até os dias de hoje é uma preciosidade e se curvar a bárbaries como essa seria, mudando o comportamento, de certa forma, abrir mão desses direitos.
Como estrangeiros brasileiros, contamos com um acolhimento e uma simpatia inesperados por mim, que tinha vivido ilegalmente na Paris dos anos 90 e tinha sentido na pele o que é ser um imigrante. As pessoas dos serviços públicos, das escolas, enfim, as pessoas em geral são muito carinhosas e simpáticas com a gente aqui, gostam do nosso sotaque, suspiram nostálgicos quando explicamos que somos do Brasil.
Mas basta uma pequena situação, como ver o filho indo pra escola sem conhecer ninguém, ou ter que comprar um bilhete de tram e não ter moedas certas pq a máquina não dá troco ou tirar uma foto 3 X 4 numa máquina automática e não conseguir fazer com que funcione, que já nos sentimos menos empodeirados, meio que desamparados...
Mas, e os demais imigrantes? como são acolhidos? como são tratados? Como lidam com a tecnologia onde as pessoas foram substituídas por máquinas?
Todos os terroristas, até hoje, eram pessoas que nasceram na frança, filhos de pais árabes... de certa forma, são como aqueles adolescentes norte-americanos que atiram nos colegas de escola que fizeram bullying com eles. Talvez aqui seja como se todo o país fizesse uma espécie de bullying com os estrangeiros, apesar de acolhê-los oficialmente.
Bom, enfim. Terror à parte, as pessoas estão por aqui, pelas ruas, indo e vindo, continuando suas vidas, ... e nós também!
Seja sob o manto de Nossa Senhora Aparecida, sob os olhos de Alá ou sob a lógica positiva do ateísmo.
No fundo, é como dizia Tom Jobim:
"Viver no exterior é bom, mas é uma merda.
Viver no Brasil é uma merda, mas é bom".
(Antonio Carlos Jobim)
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