segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

A missa no Santuário Saint Roch



E ontem, mais uma vez, saí andando, flanando pelas ruelas como sempre aqui por essa cidade medieval.
Passei na frente de uma igreja, entrei: Santuário de Saint Roch (o padroeiro da cidade). Tem a Catedral São Roque, imponente e alto e o Santuário, fofinho entre becos e ruelas.
Nem fiz os três pedidos, esqueci. Também, tá tudo tão dando certo, tá tudo pedido, tá tudo concedido! Deus sabe o que precisamos antes mesmo de pedirmos,, já diz a lenda...
E aí a missa ia começar, estavam ajustando os microfones, acendendo as luzes e afinando o órgão e as vozes e aí fui ficando, assisti a missa, falei tudo em português e cantei músicas em português baixinho na hora do ofertório ("Receba , ò Senhor a nossa oferta que será então ,na certa o seu próprio ser")>
Na hora do” Santo Santo Santo, Senhor Deus do Universo”, encaixei a música “Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça e tudo o mais vos será acrescentado Aleluia Aleluia!” numa hora nada a ver, só pra cantá-la baixinho, rsrs
E na hora da comunhão, eu comunguei. Comunguei pela primeira vez desde a separação. Aqui me sinto digna de comungar. Aqui não sou separada. Aqui foda-se, ninguém sabe e eu comunguei.
Na comunhão o padre-mor dava a hóstia e depois, ao lado, um coroinha chinês jovem segurava um cálice com vinho.
Fiquei observando. Algumas pessoas bebiam na taça dourada e aí o jovem chinês limpava a “baba” com um pano sagrado e eu ficava me perguntando se o vinho ia dar pra todo mundo. Mas aí  outras pessoas só  “tchotchavam” a hóstia no cálice. Eu preferi “tchotchar”, fiquei com nojinho...
Os que bebiam, bebiam todos naquele mesmo cálice, tipo "microbiagem" mesmo. Todos do mesmo cálice, o sangue de Cristo. Gosto dessa galera meio “foda-se” praquele excesso de higiene e nojo que o Brasil inventou de ter agora, importando dos EUA essa higienização das relações e dos ambientes. É como um vírus, o vírus de ter nojo. Acho que peguei um pouquinho esse vírus, rsrs.
E rezei o pai nosso em português mas prestando atenção ao jeito francês de rezar “Père nôtre (...), pardonez nos ofenses...”  
Na hora da “Paz de Cristo” me emocionei. Me emocionei “aux larmes”.
Dar a mão a todas essas pessoas, desejar a paz... e desejei a paz de cristo às pessoas em torno, à negra de peruca loira, ao casal de idosos, ao senhor que o telefone tinha tocado e ele não conseguia desligar, às mocinhas branquinhas que nem davam a mão direito....Mais adiante tinha também mais negros, um japonês, um casal de chineses, um casal de ocidentais, talvez franceses e mais uma galerinha que tanto podia ser francesa, como europeus em geral pelos traços e pela cor...
E foi bom ter ido à Igreja. Meu berço religioso, minha religiosidade mãe é o catolicismo, mesmo que eu fique atéia de vez em quando, ou budista, ou espírita, ou umbandista. A missa é o colo da minha religiosidade e me traz conforto e paz. Mesmo que eu esteja confortada e em paz. Mesmo assim é bom.
Depois saí de novo pelas ruelas "mediebelas" e passei na frente do consultório que tem umas salas pra alugar. Era pertinho de lá. E ao lado tem um restaurante chinês. Menu a 9.50 euros. Almocei lá. Como quem almoça no bairro. O bairro do consultório. e desci e virei a esquina e vi que tem uns barzinhos, restaurantezinhos bem legais por lá. E descendo já é o Observatoire. E pronto, o ponto do Tram pra voltar pra casa! 
Ponto e Pronto!

3 comentários:

  1. Amei esta crônica tão rica de detalhes que nos exporta ao ambiente qual um u, tele transporte. Ahhh como eu queria ouvir as músicas e o órgão...

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    1. lourdes, o órgão não era tão bem tocado, rsr, mas as músicas, todas, uma mulher e uma moça soprano, ambas, com vozes de anjo. músicas calmas, cantadas com serenidade, muito muito lindo, um verdadeiro show!

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