sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

E como dizia Tom Jobim...



Um ano após o atentado na redação do jornal "Charlie Hebdo", a tv e os jornais, só falam nisso. Tipo Globo, SBT, Record, sensacionalisando e meio que apavorando a gente.
Comprei o jornal de ontem (imagem da capa anexada abaixo) e já li quase inteiro. Dessa vez eles provocam os católicos...
Eles continuaram a publicar e dos 10 mil assinantes que tinham no começo de janeiro de 2015, passaram a ter 220 mil após os atentados. Essa edição de um ano do que eles chamam de "carnificina" traz depoimentos dos sobreviventes e poemas de pessoas famosas como Isabelle Adjani, Charlotte Gainsbourg e Juliette Binoche, entre outros. Todos defendendo o direito da liberdade de expressão e do Estado Laico.
Não sei o que pensar. Ano passado, quando aconteceu, eu estava no Brasil e pensei que não era nada legal ficar zombando da religião alheia, mas também que nada, nunca nesse mundo justificaria a atitude dos irmãos Kouachi, disparando cerca de sessenta tiros numa sala de 20 mts² para defender a honra de Alá.
Hoje, aqui, penso que, realmente, essa liberdade de expressão conquistada e mantida pela França até os dias de hoje é uma preciosidade e se curvar a bárbaries como essa seria, mudando o comportamento, de certa forma, abrir mão desses direitos.
Como estrangeiros brasileiros, contamos com um acolhimento e uma simpatia inesperados por mim, que tinha vivido ilegalmente na Paris dos anos 90 e tinha sentido na pele o que é ser um imigrante. As pessoas dos serviços públicos, das escolas, enfim, as pessoas em geral são muito carinhosas e simpáticas com a gente aqui, gostam do nosso sotaque, suspiram nostálgicos quando explicamos que somos do Brasil.
Mas basta uma pequena situação, como ver o filho indo pra escola sem conhecer ninguém, ou ter que comprar um bilhete de tram e não ter moedas certas pq a máquina não dá troco ou tirar uma foto 3 X 4 numa máquina automática e não conseguir fazer com que funcione, que já nos sentimos menos empodeirados, meio que desamparados...
Mas, e os demais imigrantes? como são acolhidos? como são tratados? Como lidam com a tecnologia onde as pessoas foram substituídas por máquinas?
Todos os terroristas, até hoje, eram pessoas que nasceram na frança, filhos de pais árabes... de certa forma, são como aqueles adolescentes norte-americanos que atiram nos colegas de escola que fizeram bullying com eles. Talvez aqui seja como se todo o país fizesse uma espécie de bullying com os estrangeiros, apesar de acolhê-los oficialmente.
Bom, enfim. Terror à parte, as pessoas estão por aqui, pelas ruas, indo e vindo, continuando suas vidas, ... e nós também!
Seja sob o manto de Nossa Senhora Aparecida, sob os olhos de Alá ou sob a lógica positiva do ateísmo.
No fundo, é como dizia Tom Jobim:
"Viver no exterior é bom, mas é uma merda.
Viver no Brasil é uma merda, mas é bom".
(Antonio Carlos Jobim)

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