Diário de viagem, traduções, poemas e desabafos das minhas andanças pelo meu mundo adentro e por esse mundo afora...
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Aos lixeiros
Acabei de ganhar um sorriso largo e luminoso
emoldurado por um par de bochechas negras
detrás do volante de um caminhão de lixo da prefeitura.
Admiro os lixeiros
tenho por eles uma reverência quase devota
Eles, com sua agilidade e alegria
recolhem nossos dejetos
nossos segredos
nosso desperdício
nossa vergonha
como quem colhe feixes de trigo
em sacos
em cacos
de vida e de morte.
Acho que toda cidade
deveria levantar uma estátua
um portal, um monumento
ao lixeiro desconhecido
ao Cristo risonho de cada dia
que se encarrega com dignidade e leveza
de esconder, pra longe de nossos olhos e narizes
toda nossa feiúra, todo nosso fedor,
toda nossa podridão civilizada.
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