sexta-feira, 27 de julho de 2012

Aos lixeiros

Acabei de ganhar um sorriso largo e luminoso emoldurado por um par de bochechas negras detrás do volante de um caminhão de lixo da prefeitura. Admiro os lixeiros tenho por eles uma reverência quase devota Eles, com sua agilidade e alegria recolhem nossos dejetos nossos segredos nosso desperdício nossa vergonha como quem colhe feixes de trigo em sacos em cacos de vida e de morte. Acho que toda cidade deveria levantar uma estátua um portal, um monumento ao lixeiro desconhecido ao Cristo risonho de cada dia que se encarrega com dignidade e leveza de esconder, pra longe de nossos olhos e narizes toda nossa feiúra, todo nosso fedor, toda nossa podridão civilizada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário