O tempo “contínuo” é talvez o da cronologia ou da história, mas não o do cotidiano. As interrupções de atividade ou de produtividade são essenciais à estruturação do tempo próprio tanto para os indivíduos quanto para os grupos sociais...(PAUL VIRILIO)
Diário de viagem, traduções, poemas e desabafos das minhas andanças pelo meu mundo adentro e por esse mundo afora...
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
Isso e Ócio...
O tempo “contínuo” é talvez o da cronologia ou da história, mas não o do cotidiano. As interrupções de atividade ou de produtividade são essenciais à estruturação do tempo próprio tanto para os indivíduos quanto para os grupos sociais...(PAUL VIRILIO)
O direito de não ter nada a dizer - Gilles Deleuze
A estupidez (ou a besteira) nunca é muda nem cega. De modo que o problema não é mais fazer com que as pessoas se exprimam, mas arranjar-lhes vácuos de solidão e de silêncio a partir dos quais elas teriam, enfim, algo a dizer. (...) As forças repressivas não impedem as pessoas de se exprimir, ao contrário, elas a forçam a se exprimir. Suavidade de não ter nada a dizer, direito de não ter nada a dizer; pois é a condição para que se forme algo raro ou rarefeito, que merecesse um pouco ser dito. (GILLES DELEUZE)
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
Sobe e desce
Eu subo em busca de um livro
Desço pra geladeira comer
Subo pra assistir um filme
Desço pra deitar um pouco na rede e ler
E subo pra pegar a roupa suja
E desço pra coloca-la na máquina
E subo pra preparar um texto
E desço pra digitar no computador sentada no sofá
E subo pra deitar um pouco
E desço pra recolher a roupa do varal
E subo com a roupa seca
E desço pra caminhar pelo jardim
Subo desço
Desço e subo
Do fim ao começo
Do começo ao fim
E nunca que sussego
E nunca que cuido de mim.
Enquanto isso a vida passa
E minhas pernas engrossam.
(Chácara Quero-quero, 3 de janeiro de 2015)
Desço pra geladeira comer
Subo pra assistir um filme
Desço pra deitar um pouco na rede e ler
E subo pra pegar a roupa suja
E desço pra coloca-la na máquina
E subo pra preparar um texto
E desço pra digitar no computador sentada no sofá
E subo pra deitar um pouco
E desço pra recolher a roupa do varal
E subo com a roupa seca
E desço pra caminhar pelo jardim
Subo desço
Desço e subo
Do fim ao começo
Do começo ao fim
E nunca que sussego
E nunca que cuido de mim.
Enquanto isso a vida passa
E minhas pernas engrossam.
(Chácara Quero-quero, 3 de janeiro de 2015)
QUAL É A SUA DOR?
Você bebe, fuma, cheira
Compra, come, tem calor
E em tudo exagera
Limpa a casa com ardor
Adiciona mil amigos,
Corre, malha, faz amor
Faz cruzeiros, salta aos ares
Pega a estrada, desertor
Vive isso como fuga
E pra nada dá valor
É por isso que eu peço
Que reflita, por favor
Qual é a medida exata
Que tamanho tem sua dor?
Pra que tanto exagero
É medo, pavor, horror?
De que foge? Do que corre?
É tão forte a sua dor?
E se você parasse
Despertasse do torpor
E com coragem encarasse
O seu monstro interior?
(imagem Brian Oldham)
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
Desejo - Victor Hugo
"Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar ".
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
Não se abandone
"Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Vem, me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido"
(João e Maria - Chico Buarque)
domingo, 28 de dezembro de 2014
E esse ano que não termina...
Adeus!
A Deus.
Vai com Deus, ano velho!
Muitas conquistas.
Muitas risadas.
Muitas mudanças.
Muitas idas, muitas vindas, pra depois de novo ir.
Ano é sempre assim: passa rápido pra depois tardar, se demorar, desacelerar e nunca que acaba!
Vai ano, vai cumprindo sua sina de terminar assim, vagarosamente, infinitamente.
Enquanto isso, eu, vagarosa, infinita, tardo e ardo nesse fim que não finda.
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