Diário de viagem, traduções, poemas e desabafos das minhas andanças pelo meu mundo adentro e por esse mundo afora...
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
AMOR FEINHO - Adélia Prado
Eu quero amor feinho.
Amor feinho não olha um pro outro.
Uma vez encontrado, é igual fé,
não teologa mais.
Duro de forte, o amor feinho é magro, doido por sexo
e filhos tem os quantos haja.
Tudo que não fala, faz.
Planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,
da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero amor feinho.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
...muito leve leve pousa!
Leve, como leve pluma
Muito leve, leve pousa.
Muito leve, leve pousa.
Na simples e suave coisa
Suave coisa nenhuma
Suave coisa nenhuma.
Sombra, silêncio ou espuma.
Nuvem azul
Que arrefece.
Simples e suave coisa
Suave coisa nenhuma.
Que em mim amadurece
(Amor-Secos & Molhados)
Isso e Ócio...
O direito de não ter nada a dizer - Gilles Deleuze
A estupidez (ou a besteira) nunca é muda nem cega. De modo que o problema não é mais fazer com que as pessoas se exprimam, mas arranjar-lhes vácuos de solidão e de silêncio a partir dos quais elas teriam, enfim, algo a dizer. (...) As forças repressivas não impedem as pessoas de se exprimir, ao contrário, elas a forçam a se exprimir. Suavidade de não ter nada a dizer, direito de não ter nada a dizer; pois é a condição para que se forme algo raro ou rarefeito, que merecesse um pouco ser dito. (GILLES DELEUZE)
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
Sobe e desce
Eu subo em busca de um livro
Desço pra geladeira comer
Subo pra assistir um filme
Desço pra deitar um pouco na rede e ler
E subo pra pegar a roupa suja
E desço pra coloca-la na máquina
E subo pra preparar um texto
E desço pra digitar no computador sentada no sofá
E subo pra deitar um pouco
E desço pra recolher a roupa do varal
E subo com a roupa seca
E desço pra caminhar pelo jardim
Subo desço
Desço e subo
Do fim ao começo
Do começo ao fim
E nunca que sussego
E nunca que cuido de mim.
Enquanto isso a vida passa
E minhas pernas engrossam.
(Chácara Quero-quero, 3 de janeiro de 2015)
Desço pra geladeira comer
Subo pra assistir um filme
Desço pra deitar um pouco na rede e ler
E subo pra pegar a roupa suja
E desço pra coloca-la na máquina
E subo pra preparar um texto
E desço pra digitar no computador sentada no sofá
E subo pra deitar um pouco
E desço pra recolher a roupa do varal
E subo com a roupa seca
E desço pra caminhar pelo jardim
Subo desço
Desço e subo
Do fim ao começo
Do começo ao fim
E nunca que sussego
E nunca que cuido de mim.
Enquanto isso a vida passa
E minhas pernas engrossam.
(Chácara Quero-quero, 3 de janeiro de 2015)
QUAL É A SUA DOR?
Você bebe, fuma, cheira
Compra, come, tem calor
E em tudo exagera
Limpa a casa com ardor
Adiciona mil amigos,
Corre, malha, faz amor
Faz cruzeiros, salta aos ares
Pega a estrada, desertor
Vive isso como fuga
E pra nada dá valor
É por isso que eu peço
Que reflita, por favor
Qual é a medida exata
Que tamanho tem sua dor?
Pra que tanto exagero
É medo, pavor, horror?
De que foge? Do que corre?
É tão forte a sua dor?
E se você parasse
Despertasse do torpor
E com coragem encarasse
O seu monstro interior?
(imagem Brian Oldham)
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